domingo, 10 de abril de 2011

Poemas Ugentes!!!

Vulto

Ontem vi seu vulto
Correndo solto no meu sonho
Parecia tudo ilusão.
Mas eu acreditei
E continuo acreditando
Eu não te nego,
Jamais te negaria
Você é meu oposto
Mas não me ofusca
Nem no contragosto
Eu acredito
E procuro mostrar
Seu vulto correndo solto
Ontem no meu sonho
Vi seu vulto

quinta-feira, 2 de setembro de 2010

Poemas Urgentes!!!

Poesias soltas por aí...

Você
Eu não
Você, eu não
Você,
Sem chão
Você
Eu não

*****

Põe a língua pra fora
Passa no meu corpo
Já está na hora
De descer mais um pouco

*****

Vou passar a minha língua
No teu corpo já suado
Água
Creme
Esperma
Lagrimas
...

terça-feira, 17 de agosto de 2010

Cena curtíssima antropofágica


(os três personagens saem da platéia com uma garrafa de vinho e taças. Encontram se no centro do espaço definido para a ação, enchem as taças):

Primeiro: Um brinde! (alegre, sem entender)
Segundo: A que comemoramos?
Terceiro: A “ela”.
Segundo: Oras! (desapontado) Pensei que fosse algo importante.
Primeiro: Não temos nada pra comemorar...
Terceiro: Então, inventamos algo assim...
Segundo: Essa nossa “roda” inventada.
Primeiro: Mas, por quem?
Segundo: Não sei (querendo dizer que não foi ele)
Primeiro: Por mim!
Segundo: Por ti!
Terceiro: Por nós!
Segundo: Qualé?

(cada um corre para um canto do espaço)

Segundo: Vão me engolir.
Terceiro: Vão te engolir.
Primeiro: Vão nos engolir.
Terceiro: O Choque de gerações...
Primeiro: Qual o que?
Segundo: (achando graça) Existe isso?
Terceiro: Claro que sim.
Primeiro: Somos todos iguais.
Segundo: Eu e meus pais.
Terceiro: Você e seus pais.
Primeiro: Nós e nossos pais.

(todos dão gargalhadas, o segundo vai ficando sério)

Segundo: (repreendendo) Parem com isso!
(os outros dois param)
Segundo: Nossa “roda” é muito séria.
(olham se e caem na gargalhada novamente. Vem se juntando ao centro)
Terceiro: (ao primeiro) Você é feliz?
Primeiro: É pra ser feliz?
Terceiro: Sim. (colocando mais vinho nas taças)
Segundo: Mentira! (acendendo um cigarro) Ela só que nós tenhamos. Quanto mais, melhor.
Terceiro: Ah! Vai, falando sério.

(o primeiro vai responder, o segundo olha pra ele e diz):

Segundo: Não dá pra dizer, não é?
Primeiro: É.
Segundo: Enquanto tivermos um bom vinho e o que fumar está de bom tamanho.
Terceiro: (para o segundo) Palhaçada, hein?
Primeiro: Pare!
Segundo: Atenção!
Terceiro: Siga!
Segundo: São regras de uma boa educação.
Terceiro: E o que é uma boa educação?
Primeiro: Ninguém, até hoje soube responder esta questão.
Segundo: Quer saber? Eu vou pra casa.
Terceiro: Eu também.

(os dois vão saindo)

Primeiro: Ei, espere!

(os dois voltam)

Primeiro: A gente vai terminar a cena assim

(os dois se olham sem entender)

Primeiro: É. Este vai ser o nosso fim?
Segundo: Não.
Terceiro: O fim é a morte.
Primeiro: Como assim?
Terceiro: Todos se matam! Todos se comem. E eu não quero presenciar isso. Tiau. (sai)
Segundo: Eu também (sai)

(o primeiro que ficou esperando, de repente, leva um tiro e cai).

quinta-feira, 5 de agosto de 2010

Diário do Nada: Domingo: A ressurreição


Levantou cedo e foi à missa. Precisava ouvir palavras que o confortassem.
E ouviu:
- “Faça a tua parte e eu o ajudarei” – repetiu o Padre, a frase retirada do evangelho.
Foi embora. Já não estava sozinho. Sentiu um misto de alegria de criança quando se faz uma descoberta e de um adulto quando descobre uma resposta de uma pergunta sem resposta.
...

quarta-feira, 4 de agosto de 2010

Diário do Nada: sábado de aleluia


Dormiu a manhã inteira.
Levantou ao meio dia.
Almoçou.
Tomou banho.
E dormiu toda à tarde.
À noite não saiu.
Não fez nada.

terça-feira, 3 de agosto de 2010

Diário do Nada: Sexta feira: a crucificação


Resolveu sair com a Renatinha, sua ex. Pediu ao irmão uma grana emprestada, quando pudesse o pagaria.
Levou a mina numa boate, no centro dançar, e sentiu-se tão pequeno, diante da alegre juventude, da qual fazia parte, mas não participava. The girls and the boys tinham tanto pra ser feliz, e ele ali resmungando o que a vida lhe negava.
Não curtiu como previra. Não era o que ele queria, não o que realmente desejava. Tudo ia pela viela contrária. Via todos os seus sonhos se desmoronarem, como uma torre de babel se despencando e indo por terra a baixo.
Foram embora. Ele pilotava a moto adquirida nas sessenta prestações do consórcio, e retirada apenas no último sorteio.
A gata tava a fim de transa. Ele não, ele precisava, necessitava. Iria fazê-lo sentir tão vivo, como jamais sentira naqueles dias. Mas na hora “agá” brochou, seu pinto não o obedeceu, não subiu, falhou, o deixou na mão.
Era mesmo um nada. Era só o que faltava

quarta-feira, 23 de junho de 2010

Diário do nada: quinta feira de lava-pés


Olhava para as horas que não passavam, naquela faculdade imunda, cheia de professores imundos, de colegas imundos. Até ele era imundo, às vezes. Hoje era dia de beber com os “amigos” da faculdade. Mão no bolso. Apenas o vale-transporte para o ônibus de vota pra casa. Nada de cigarro e cerveja e mulher e farra.
Já não estava atento ao que o chato do professor de filosofia, mestrado não-sei-onde, doutorado em-não-sei-o-quê, dizia. Foi ao Nada, precisava ir, sentia necessidade de sentir nada. Quase chorou de raiva de si.
Mas teve que voltar rápido, alguém o chamara. Acabou a aula. Foi pra casa dormir.

segunda-feira, 7 de junho de 2010

Diário do Nada: quarta feira santa


Lutava ardorosamente contra o que socialmente se chama de ansiedade. Aguardava, faz certo tempo, o edital de um concurso público. Queria se ajeitar na vida, dizia. Buscava a felicidade. Corria atrás ou à frente de seu projeto de vida.
Folheava o jornal do dia, até abrir numa pagina , onde informavam sobre o adiamento das provas do concurso.
Foi ao Nada e voltou depressa. Não conseguiu ficar muito tempo, pois tinha muito que fazer no Tudo. Tinha que adiar o seu “ajeitar a vida” e os eu “encontro com a felicidade”.
Fazer o que?, era a vida, não podia fazer nada. Não havia nada a ser feito a não ser adiar a sua felicidade. Tinha muito pra viver, pensou. Aquele foi um dia de muita chuva, naquela cidade que raramente chovia, neste dia fez questão de chover bastante, muito mais que o habitual, que o normal na vida de um ser humano.

segunda-feira, 31 de maio de 2010

Diário do nada: terça feira santa


O noticiário no rádio informa que as investigações sobre o Deputado Federal, que já fora prefeito e agora pretendia ser governador, andava a passo de lesma. Investigavam como aquele político enriquecera tão rápido. Em dez anos seu patrimônio financeiro e material passou de quatro milhões para oitenta milhões. O critico do rádio disse que já sabia que ia dar em nada. Mais uma investigação que acaba em pizza, disse o locutor.
De repente sentia o Nada chegar, fazer todo o percurso até chegar ao cérebro, e sentir se fraco para fazer nada. Sentiu se impotente, sem poder de nada, sem nada ao seu poder. Ficou imobilizado pelo sentimento do Nada.

quarta-feira, 26 de maio de 2010

Diário do Nada: segunda feira santa


Esperava sentado e angustiado começar a novela. Mais uma em sua vida. Era o fim daquela temporada. Pelo menos pra ele. Bestial e inútil na sua vida. Para ele as novelas acabavam na segunda, quando sentia que aquilo que assistia não lhe acrescentava nada. Parava de assistir. Gostava de segundas feiras, achava que era dia de começar, de renovar. Ou de terminar. Novamente aquela sensação. Do Nada. De não ter o que pensar, de não ter como pensar. Estava como no dia anterior, preso no Nada. E ali ficou, por algum tempo.
Já conhecia este sentimento, esta zona de conflito em sua´lma. Não protestava mais. Deixava acontecer, afinal, acabasse a novela na TV, acabava o Nada dentro dele.